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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feijão

Repico esta matéria do Blog GenPeace, ratificando a sinergia com posturas coerentes e instrutivas contra esta peste que avassala a humanidade.



Em artigo enviado ao Jornal da Ciência e publicado em 22 de dezembro de 2014, o Dr. Nagib Nassar (UnB) defende decisão da Embrapa de não liberar o feijão transgênico e contesta posição da CTNBio (http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/6-o-feijao-transgenico-decisao-e-licoes/) . Sua posição é diametralmente oposta à da maioria dos cientistas que se debruçaram sobre a avaliação de risco deste feijão (evento EMBRAPA 5.1) e que está resumidamente exposta emhttp://bch.cbd.int/database/attachment/?id=13795 . A seguir rebato, parágrafo por parágrafo, o texto do Nagib enviado ao Jornal da Ciência (SBPC), que já havia publicado outro texto sobre o assunto, de autoria do Dr. Walter Colli, com o qual me alinho inteiramente. Também publiquei aqui uma carta do Dr. Luiz Antônio Barreto de Castro, protestando contra novos atrasos na liberação comercial efetiva deste feijão.

****************************************************

Nagib: Numa decisão inédita, corajosa e consciente , a atual diretoria da Embrapa cancelou experimentos de avaliação de feijão transgênico e impediu seu uso e consumo. A variedade é a mesma que foi desenvolvida pela instituição e lançada com muita euforia três anos atrás.
Minhas observações: O Nagib está enganado: a diretoria não cancelou experimento algum, apenas aparentemente adiou a colocação no mercado. Digo “aparentemente” porque o texto da Nota Técnica, já retirada do portal da EMBRAPA, não deixava claro que poderia haver sequer este adiamento. Ainda que numa nota oficial, ainda online, a EMBRAPA apoie integralmente o feijão EMBRAPA 5.1 (https://www.embrapa.br/esclarecimentos-oficiais/-/asset_publisher/TMQZKu1jxu5K/content/tema-feijao-embrapa-5-1-), as reações negativas à Nota foram muitas e a diretoria, seguramente, deve nos próximos dias esclarecer a questão aos brasileiros, que merecem respeito e atenção de qualquer empresa, mormente uma que seja “nossa”, isto é, do Governo.

Nagib:A Embrapa verificou pela experimentação científica no campo e sob condições naturais, que esta variedade seria inútil como técnica de controle de vírus de feijão.
Minhas observações: Mais uma vez, o Nagib se engana: o que a EMBRAPA verificou era a existência de mais um novo vírus, mas isso em nada invalida a eficiência do feijoeiro EMBRAPA 5.1 no controle do vírus do mosaico dourado. Razão tem o Dr. Colli, não adotar o feijão GM por causa de outra virose é o mesmo que não tratar um paciente contra uma infecção por causa de outra, apenas porque os remédios são diferentes.

Nagib: Há uma história dramática desde o lançamento e aprovação dessa variedade há três anos. A história vivida por nós agrônomos,
 Ambientalistas e geneticistas, e até jornalistas atraídos por falsa promessa, fez com que um deputado afirmasse antecipadamente, num jornal de grande porte, que nós (já) havíamos resolvido o problema da fome e alimentos no Brasil.Minhas observações: Deputados, eleitores e também cientistas podem se enganar e fazer escolhas e afirmações sem base na realidade, como a do deputado e, por que não, como as do Nagib neste texto ao Jornal da Ciência. A afirmação do deputado e estas aqui, do cientista, não podem ser levadas muito adiante.

Há três anos, por decisão tomada por quinze integrantes de CTNBio, formado por representantes de ministérios como Defesa , Relações Exteriores e outros, autorizou plantio e consumo de feijão transgênico, enquanto quatro outros votos de saúde ,
 Meio Ambiente e ONGs, defenderem realizar mais estudos. O Conselho de Segurança Alimentar (CONSEA) na mesma época – no mês de julho do mesmo ano – manifestou para a presidente da República sua preocupação com a atuação da CTNBio em relação a precaução e a violação ali cometida , e alertou para a insuficiência de estudos para liberação do feijão transgênico .
Minhas observações: O Nagib propositalmente começa com os Ministérios que parecem ter menos relação com a avaliação de risco do OGM, escondendo ao leitor que, nos “outros” estão o Ministério da Ciência e Tecnologia, as sociedades científicas e o Ministério da Agricultura. Toda a celeuma histórica está comentado nos linkshttp://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html e http://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html , entre outros. Este último, aliás, comenta um artigo publicado em 2011 no mesmo Jornal da Ciência, que contém essencialmente as mesmas argumentações do Nagib. 

Nagib: Mais do que isso, foi voto vencido o relato de especialista relator que criticou o fato de estudos serem baseados em apenas 3 ratos ; número pequeno demais para chegar a conclusões estatísticas válidas de biossegurança. Mesmo assim todos machos abatidos antes de idade adulta apresentaram tendência de diminuição de tamanho de rins e de aumento do peso de fígado.
Minhas observações: Foram muitos os relatores e só um viu “problemas”, até na tramitação do processo. A oposição foi voto largamente vencido porque não havia ciência nem substância legal em suas argumentações. Os experimentos com animais eram, desde o início, perfeitamente inúteis, porque não há novas proteínas expressas neste feijão e porque os dsRNA não resistem à fervura, mesmo que branda. Além disso, os grupos experimentais, ainda que pequenos (foram vários tratamentos), eram suficientes. Mas nada estatisticamente significativo foi observado. Está tudo no dossiê.

Nagib: Desconsiderou-se também o alerta do relator que a legislação estava sendo atropelada, já que deixou-se de apresentar estudo ao longo de duas gerações de animais. Criticou-se que os estudos de campo foram feitos por apenas dois anos e só em três localidades, quando a lei exige testes em toda as regiões onde a planta poderá ser cultivada. Foi afirmado à imprensa, pelo responsável dos experimentes, que testes foram feitos em todos os
Ecossistemas enquanto o processo no CTNBio mostra que ensaios foram realizados somente na casa de vegetação.
Minhas observações: Já comentado acima

Nagib: A durabilidade de resistência ao vírus foi questionada, pois os dados mostraram que a primeira geração de sementes apresentou 30% de plantas suscetíveis a vírus, e se isso se repete a cada geração não haverá resistência no quinta ou sexta geração . É o mesmo que foi verificado ultimamente. O pior é que nenhuma dessas questões freou uma falsa euforia!
Minhas observações: A interpretação do Nagib é inteiramente equivocada, coisa que me espanta por ele mesmo ser um melhorista. Tudo indica que nunca leu o dossiê nem perguntou uma vírgula ao Aragão ou ao Josias, apenas emprenhando pelas orelhas com o que ouve dos seus like-minded.

Nagib: Há muitas lições para aprender, uma delas é que até lançar a variedade, ela custou, pelo valor de hoje, mais de 30 milhões de reais. Não seria bom coletar informações suficientes antes de começar, já que elas existem na literatura científica e são conhecidas por tudo mundo da área. A última foi há doze anos sobre como lançar uma mandioca resistente ao mosaico pela mesma técnica. Custou 15 milhões de dólares e terminou por ser abandonada após poucos anos.
Minhas observações: As informações foram coletadas e comprovam largamente o que, desde o início, se sabia: a tecnologia é capaz de gerar uma variedade com imunidade robusta ao vírus, como acontece com mamoeiros e outras plantas. Se, em outra ocasião, a tecnologia falhou, isso de forma alguma invalida esta nova tentativa, até porque hoje se conhece muitíssimo mais sobre o mecanismo de interferência de RNA do que se sabia quando as primeiras tentativas foram feitas. É o avanço normal da tecnologia e é esta uma lição que o Nagib teima em não aprender.

Nagib:O fato de que a CTNBio é constituída e decide com base e forma política, prejudica o país e o público consumidor. O caso do feijão mencionado acima é uma clara evidência . Há mais exemplos similares. O milho transgênico M 810 é proibido em toda a Europa; Ásia e até em países da África, que o rejeitou mesmo como presente, e preferiram morrer de fome do que intoxicadas. O Brasil é um dos muito poucos países que o aprovaram graças à CTNBio. As atribuições dessa comissão são legalmente designadas pela lei e pela ANVISA, mas infelizmente, por razões políticas, não são respeitadas.
Minhas observações: aqui quem não respeita a verdade nem a CTNBio é o Nagib. A CTNBio decide de forma técnica e suas decisões são essencialmente iguais às de outras agências semelhantes (EFSA, OGTR, EPA+FDA e muitas outras). Aliás, o milho MON810 foi avaliado pela agência europeia (a EFSA), que o considerou seguro. Todos os países podem plantar, se quiserem, e assim o faz Espanha e Portugal. A proibição na França e em outros países (longe de serem todos, nem sequer maioria), esta sim, é fruto da política destes países. Ásia e África vêm adotando com frequência cada vez maior os transgênicos. India, China e África do Sul já os adotam faz muitos anos e agora entram novos países, como o Vietnam e Burkina Faso. O Japão não planta, mas aprova e consome quase todos os transgênicos produzidos no resto do Mundo. Não dá para acreditar que o Nagib não saiba disso e não dá para aceitar que venda esta inverdade aos seus leitores.

Nagib: A última lição vem da decisão corajosa da atual diretoria da Embrapa, que poupou ao País muito sofrimento, e para eles levanto meu chapéu e me curvo respeitosamente.
Minhas observações: pois é, cada um se curva frente ao seu ídolo de barro, ao sabor de sua ignorância ou de sua fé. Eu prefiro me alinhar do outro lado: o feijão é seguro e pode resolver um problema sério da agricultura, muito mais sério que o Carlavírus. Não me curvo a ideologia alguma, neste caso, mas apenas à Ciência e seus resultados. Que lição eu extraio deste episódio? Que a diretoria da EMBRAPA se deixa influenciar pelas hostes contra os transgênicos, que estão em toda parte no Governo e que prejudicam o país, propalando a falência da agricultura moderna e propugnando pela sua extinção. A substituição por um modelo agroecológico, embora ninguém saiba muito bem o que é isso (há muitas definições possíveis, infelizmente), levaria o Brasil para trás. Os dois modelos podem e devem coexistir e, quem sabe, com o tempo vamos migrando do modelo intensivo para o agroecológico, à medida que precisarmos (por várias razões) produzir menos comida e que pudermos fazê-lo de forma competitiva com uma agricultura alternativa ao agronegócio atual.


Eu concluo com a seguinte observação geral: a opinião do Nagib é, na verdade, a opinião de um grupo relativamente heterogêneo que se opõe aos transgênicos por questões ideológicas. O que o Nagib escreveu e o que ele defende são talvez menos suas ideais do que as deste grupo, não apenas neste texto, mas em outros que tive a oportunidade de ler. Não há nada de errado nisso, desde que não se fale em nome da ciência e nem se apresente ao público como pesquisador na área da genética vegetal.

Feijão

Repico esta matéria do Blog GenPeace, ratificando a sinergia com posturas coerentes e instrutivas contra esta peste que avassala a humanidade.



Em artigo enviado ao Jornal da Ciência e publicado em 22 de dezembro de 2014, o Dr. Nagib Nassar (UnB) defende decisão da Embrapa de não liberar o feijão transgênico e contesta posição da CTNBio (http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/6-o-feijao-transgenico-decisao-e-licoes/) . Sua posição é diametralmente oposta à da maioria dos cientistas que se debruçaram sobre a avaliação de risco deste feijão (evento EMBRAPA 5.1) e que está resumidamente exposta emhttp://bch.cbd.int/database/attachment/?id=13795 . A seguir rebato, parágrafo por parágrafo, o texto do Nagib enviado ao Jornal da Ciência (SBPC), que já havia publicado outro texto sobre o assunto, de autoria do Dr. Walter Colli, com o qual me alinho inteiramente. Também publiquei aqui uma carta do Dr. Luiz Antônio Barreto de Castro, protestando contra novos atrasos na liberação comercial efetiva deste feijão.

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Nagib: Numa decisão inédita, corajosa e consciente , a atual diretoria da Embrapa cancelou experimentos de avaliação de feijão transgênico e impediu seu uso e consumo. A variedade é a mesma que foi desenvolvida pela instituição e lançada com muita euforia três anos atrás.
Minhas observações: O Nagib está enganado: a diretoria não cancelou experimento algum, apenas aparentemente adiou a colocação no mercado. Digo “aparentemente” porque o texto da Nota Técnica, já retirada do portal da EMBRAPA, não deixava claro que poderia haver sequer este adiamento. Ainda que numa nota oficial, ainda online, a EMBRAPA apoie integralmente o feijão EMBRAPA 5.1 (https://www.embrapa.br/esclarecimentos-oficiais/-/asset_publisher/TMQZKu1jxu5K/content/tema-feijao-embrapa-5-1-), as reações negativas à Nota foram muitas e a diretoria, seguramente, deve nos próximos dias esclarecer a questão aos brasileiros, que merecem respeito e atenção de qualquer empresa, mormente uma que seja “nossa”, isto é, do Governo.

Nagib:A Embrapa verificou pela experimentação científica no campo e sob condições naturais, que esta variedade seria inútil como técnica de controle de vírus de feijão.
Minhas observações: Mais uma vez, o Nagib se engana: o que a EMBRAPA verificou era a existência de mais um novo vírus, mas isso em nada invalida a eficiência do feijoeiro EMBRAPA 5.1 no controle do vírus do mosaico dourado. Razão tem o Dr. Colli, não adotar o feijão GM por causa de outra virose é o mesmo que não tratar um paciente contra uma infecção por causa de outra, apenas porque os remédios são diferentes.

Nagib: Há uma história dramática desde o lançamento e aprovação dessa variedade há três anos. A história vivida por nós agrônomos,
 Ambientalistas e geneticistas, e até jornalistas atraídos por falsa promessa, fez com que um deputado afirmasse antecipadamente, num jornal de grande porte, que nós (já) havíamos resolvido o problema da fome e alimentos no Brasil.Minhas observações: Deputados, eleitores e também cientistas podem se enganar e fazer escolhas e afirmações sem base na realidade, como a do deputado e, por que não, como as do Nagib neste texto ao Jornal da Ciência. A afirmação do deputado e estas aqui, do cientista, não podem ser levadas muito adiante.

Há três anos, por decisão tomada por quinze integrantes de CTNBio, formado por representantes de ministérios como Defesa , Relações Exteriores e outros, autorizou plantio e consumo de feijão transgênico, enquanto quatro outros votos de saúde ,
 Meio Ambiente e ONGs, defenderem realizar mais estudos. O Conselho de Segurança Alimentar (CONSEA) na mesma época – no mês de julho do mesmo ano – manifestou para a presidente da República sua preocupação com a atuação da CTNBio em relação a precaução e a violação ali cometida , e alertou para a insuficiência de estudos para liberação do feijão transgênico .
Minhas observações: O Nagib propositalmente começa com os Ministérios que parecem ter menos relação com a avaliação de risco do OGM, escondendo ao leitor que, nos “outros” estão o Ministério da Ciência e Tecnologia, as sociedades científicas e o Ministério da Agricultura. Toda a celeuma histórica está comentado nos linkshttp://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html e http://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html , entre outros. Este último, aliás, comenta um artigo publicado em 2011 no mesmo Jornal da Ciência, que contém essencialmente as mesmas argumentações do Nagib. 

Nagib: Mais do que isso, foi voto vencido o relato de especialista relator que criticou o fato de estudos serem baseados em apenas 3 ratos ; número pequeno demais para chegar a conclusões estatísticas válidas de biossegurança. Mesmo assim todos machos abatidos antes de idade adulta apresentaram tendência de diminuição de tamanho de rins e de aumento do peso de fígado.
Minhas observações: Foram muitos os relatores e só um viu “problemas”, até na tramitação do processo. A oposição foi voto largamente vencido porque não havia ciência nem substância legal em suas argumentações. Os experimentos com animais eram, desde o início, perfeitamente inúteis, porque não há novas proteínas expressas neste feijão e porque os dsRNA não resistem à fervura, mesmo que branda. Além disso, os grupos experimentais, ainda que pequenos (foram vários tratamentos), eram suficientes. Mas nada estatisticamente significativo foi observado. Está tudo no dossiê.

Nagib: Desconsiderou-se também o alerta do relator que a legislação estava sendo atropelada, já que deixou-se de apresentar estudo ao longo de duas gerações de animais. Criticou-se que os estudos de campo foram feitos por apenas dois anos e só em três localidades, quando a lei exige testes em toda as regiões onde a planta poderá ser cultivada. Foi afirmado à imprensa, pelo responsável dos experimentes, que testes foram feitos em todos os
Ecossistemas enquanto o processo no CTNBio mostra que ensaios foram realizados somente na casa de vegetação.
Minhas observações: Já comentado acima

Nagib: A durabilidade de resistência ao vírus foi questionada, pois os dados mostraram que a primeira geração de sementes apresentou 30% de plantas suscetíveis a vírus, e se isso se repete a cada geração não haverá resistência no quinta ou sexta geração . É o mesmo que foi verificado ultimamente. O pior é que nenhuma dessas questões freou uma falsa euforia!
Minhas observações: A interpretação do Nagib é inteiramente equivocada, coisa que me espanta por ele mesmo ser um melhorista. Tudo indica que nunca leu o dossiê nem perguntou uma vírgula ao Aragão ou ao Josias, apenas emprenhando pelas orelhas com o que ouve dos seus like-minded.

Nagib: Há muitas lições para aprender, uma delas é que até lançar a variedade, ela custou, pelo valor de hoje, mais de 30 milhões de reais. Não seria bom coletar informações suficientes antes de começar, já que elas existem na literatura científica e são conhecidas por tudo mundo da área. A última foi há doze anos sobre como lançar uma mandioca resistente ao mosaico pela mesma técnica. Custou 15 milhões de dólares e terminou por ser abandonada após poucos anos.
Minhas observações: As informações foram coletadas e comprovam largamente o que, desde o início, se sabia: a tecnologia é capaz de gerar uma variedade com imunidade robusta ao vírus, como acontece com mamoeiros e outras plantas. Se, em outra ocasião, a tecnologia falhou, isso de forma alguma invalida esta nova tentativa, até porque hoje se conhece muitíssimo mais sobre o mecanismo de interferência de RNA do que se sabia quando as primeiras tentativas foram feitas. É o avanço normal da tecnologia e é esta uma lição que o Nagib teima em não aprender.

Nagib:O fato de que a CTNBio é constituída e decide com base e forma política, prejudica o país e o público consumidor. O caso do feijão mencionado acima é uma clara evidência . Há mais exemplos similares. O milho transgênico M 810 é proibido em toda a Europa; Ásia e até em países da África, que o rejeitou mesmo como presente, e preferiram morrer de fome do que intoxicadas. O Brasil é um dos muito poucos países que o aprovaram graças à CTNBio. As atribuições dessa comissão são legalmente designadas pela lei e pela ANVISA, mas infelizmente, por razões políticas, não são respeitadas.
Minhas observações: aqui quem não respeita a verdade nem a CTNBio é o Nagib. A CTNBio decide de forma técnica e suas decisões são essencialmente iguais às de outras agências semelhantes (EFSA, OGTR, EPA+FDA e muitas outras). Aliás, o milho MON810 foi avaliado pela agência europeia (a EFSA), que o considerou seguro. Todos os países podem plantar, se quiserem, e assim o faz Espanha e Portugal. A proibição na França e em outros países (longe de serem todos, nem sequer maioria), esta sim, é fruto da política destes países. Ásia e África vêm adotando com frequência cada vez maior os transgênicos. India, China e África do Sul já os adotam faz muitos anos e agora entram novos países, como o Vietnam e Burkina Faso. O Japão não planta, mas aprova e consome quase todos os transgênicos produzidos no resto do Mundo. Não dá para acreditar que o Nagib não saiba disso e não dá para aceitar que venda esta inverdade aos seus leitores.

Nagib: A última lição vem da decisão corajosa da atual diretoria da Embrapa, que poupou ao País muito sofrimento, e para eles levanto meu chapéu e me curvo respeitosamente.
Minhas observações: pois é, cada um se curva frente ao seu ídolo de barro, ao sabor de sua ignorância ou de sua fé. Eu prefiro me alinhar do outro lado: o feijão é seguro e pode resolver um problema sério da agricultura, muito mais sério que o Carlavírus. Não me curvo a ideologia alguma, neste caso, mas apenas à Ciência e seus resultados. Que lição eu extraio deste episódio? Que a diretoria da EMBRAPA se deixa influenciar pelas hostes contra os transgênicos, que estão em toda parte no Governo e que prejudicam o país, propalando a falência da agricultura moderna e propugnando pela sua extinção. A substituição por um modelo agroecológico, embora ninguém saiba muito bem o que é isso (há muitas definições possíveis, infelizmente), levaria o Brasil para trás. Os dois modelos podem e devem coexistir e, quem sabe, com o tempo vamos migrando do modelo intensivo para o agroecológico, à medida que precisarmos (por várias razões) produzir menos comida e que pudermos fazê-lo de forma competitiva com uma agricultura alternativa ao agronegócio atual.


Eu concluo com a seguinte observação geral: a opinião do Nagib é, na verdade, a opinião de um grupo relativamente heterogêneo que se opõe aos transgênicos por questões ideológicas. O que o Nagib escreveu e o que ele defende são talvez menos suas ideais do que as deste grupo, não apenas neste texto, mas em outros que tive a oportunidade de ler. Não há nada de errado nisso, desde que não se fale em nome da ciência e nem se apresente ao público como pesquisador na área da genética vegetal.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Banana Transgênica

Desenvolvida no século passado, 
Caminhando em direção às nossas escolas.

cuidado!


Prezad@s,
 
           Repasso abaixo comunicado de imprensa lançado pela AFSA- Aliança pela Soberania Alimentar na África  e a Aliança de Soberania Alimentar dos EUA contra a banana transgênica patrocinada pelo Bill Gates. 
 
            O comunicado denuncia testes com banana transgênica em humanos que estão sendo feitos com estudandes mulheres da Universidade de Iowa nos EUA, visando à liberação comercial na África. A variedade transgênica foi desenvolvida na Austrália com recursos da Fundação Bill e Melinda Gates e os testes em humanos (neste caso, humanas!) estão sendo conduzidos pela Universidade de Iowa.  
 
            A carta da AFSA está disponível aqui http://afsafrica.org/afsa-open-letter-opposing-human-feeding-trials-involving-gm-banana/ e conta com o apoio de 126 organziações (incluindo Via Campesina África e Via Campesina América do Norte) e de 26 personalidades.
            Divulguem nas suas redes. Organizações interessadas em apoiar a carta aberta podem contatar diretamente a AFSA nos endereços disponíveis abaixo.
 
Saudações,
 
Angela 
            
 
             

 
Press Release issued by Alliance For Food Sovereignty In Africa and US Food Sovereignty Alliance


Kampala, Uganda and Seattle, Washington- 10th December 2014

The Alliance for Food Sovereignty in Africa (AFSA) is a Pan African platform comprising civil society networks and farmer organisations working towards food sovereignty in Africa has submitted an Open Letter to the Bill and Melinda Gates Foundation, Dr. Wendy White from Iowa State University and the Human Institutional Review Board of Iowa State University expressing fierce opposition to the human feeding trials taking place at Iowa State University involving genetically modified (GM) bananas.

The Open Letter is supported by more than 120 organizations from around the world. Farmers, advocates, consumers and other communities from the United States are represented, including the US Food Sovereignty Alliance (USFSA), FoodFirst, AGRA Watch/Community Alliance for Global Justice and La Via Campesina North America, as well as many from Africa, Europe, Latin America, the United Kingdom, Asia and Australia. Dr. Vandana Shiva, Dr. Jeanne Koopman, Dr. Eva Navotny and Professor Joseph Cummins are among the prominent scientists and academics also supporting the Open Letter.

The GM banana human trials are funded by the Bill and Melinda Gates Foundation and carried out by Iowa State University under the leadership of Dr. Wendy White. The human subjects of these trials are young female students from Iowa State University. Scientists at the Queensland University of Technology in Australia developed the GM banana, also with funds provided by the Gates Foundation. Touted as a ‘Super Banana’ the GM banana in question, has been genetically modified to contain extra beta-carotene, a nutrient the body uses to produce Vitamin A. The results of the human trials are designed to support the release the GM bananas into Ugandan farming and food systems. According to Iowa State University, “Vitamin A deficiency is a major public health problem in Uganda and other countries in Sub-Saharan Africa and leads to decreased survival in children, impaired immune function and blindness.”

An outraged Bridget Mugambe, a Ugandan and AFSA Policy Advocate, says “Just because the GM banana has been developed in Australia and is being tested in the US, does not make it super! Ugandans know what is super because we have been eating homegrown GM-free bananas for centuries. This GM Banana is an insult to our food, to our culture, to us a nation, and we strongly condemn it.“

Iowa farmer George Naylor noted, "We're told that GMOs are safe but we don't even know if these genetically modified bananas should be tested on humans. People who are malnourished need good food, not another public relations stint that clears the way for more corporate, patented, high-profit technologies."

“As AFSA, we are vehemently opposed to GM crops. Africa and Africans should not be used as justification for promoting the interest of companies and their cohorts. We do not need GM crops in this changing climate. What we need is the diversity in our crops and the knowledge associated with them,” commented Dr. Million Belay, AFSA Coordinator.

AFSA, USFSA and others supporting the Open Letter have demanded that it be shared with the human subjects of the trials in the US.

Ends
Contacts:

Africa:
Bridget Mugambe
Email:  b_mugambe@yahoo.com
 Tel: + 256 775 692499

Dr Million Belay
Email:  millionbelay@gmail.com
Tel: Office: +251-115-507172
       + 251-115-504979

United States:
Lisa Griffith, US Food Sovereignty Alliance
Email:  lisa@nffc.net
Tel: 773-319-5838

Notes to Editors:
  1. AFSA members include the African Biodiversity network (ABN), the Coalition for the Protection of African Genetic Heritage (COPAGEN), Comparing and Supporting Endogenous Development (COMPAS) Africa, Friends of the Earth–Africa, Indigenous Peoples of Africa Coordinating Committee (IPACC), Participatory Ecological Land Use Management (PELUM) Association, Eastern and Southern African Small Scale Farmers’ Forum (ESAFF), La Via Campesina Africa, FAHAMU, World Neighbours, Network of Farmers’ and Agricultural Producers’ Organizations of West Africa (ROPPA), Community Knowledge Systems (CKS) and Plate forme Sous Régionale des Organisations Paysannes d’Afrique Centrale (PROPAC).
  2. The Open Letter can be viewed here:  http://afsafrica.org/afsa-open-letter-opposing-human-feeding-trials-involving-gm-banana/
  3. Documents accessed from Iowa State University can be viewed here:http://afsafrica.org/iowa-state-university-feed-trials/
Kind Regards.